quinta-feira, 19 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Cor




Com o desvanecer da distinção formal, todos os rostos e formas se assemelham, e a materialidade pode tender a limitar-se à repetição do objectual. É paradoxal e quase paranormal que o rolo mais importante no auxílio ao campo visual não se revele mais que uma forma de percepção, algo que parte de quem observa, e não do objecto em si. A cor, domínio do sensorial, reveste abstractamente as formas tendencialmente estandardizadas, dando vida e exclusividade a cada elemento. Cada rosto é único, cada plano é distinto, cada ser mais diferente do outro. A situação torna-se ainda mais interessante quando se constata que esta ilusão da cor pode ela mesma ser forma, quando a materialidade não passa da bidimensionalidade, como acontece numa pintura mural. Esta não deixa de ser uma metáfora da vida, que nos leva a questionar até que ponto se estende a distinção entre realidade e percepção, se é que esta existe mesmo.sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Light Contrasts



Neste exercício tentámos perceber de que forma a luz afecta a materialidade, e até que ponto se pode dissociar desta.
Com uma maior incidência de luz, certas formas ganham subitamente volumetria, e a sua percepção torna-se completamente diferente. Outros casos há em que a própria luz se torna objecto. No segundo par de fotos, por exemplo, vemos duas esculturas fotografadas a diferentes horas do dia, sendo que na foto da direita a incidência solar produz duas sombras nas esculturas que se afiguram a bustos de cavalos. A este nível considerámos já que até a luz, neste caso, a sombra por ela projectada, passou para o plano da materialidade, por chegar ao ponto de criar uma imagem tão marcante quanto o próprio objecto que lhe dá forma, afectando marcada e simbolicamente a memória do observador.
Torna-se assim evidente que não é possível separar a forma e a luz, já que, no campo visual, a primeira não existe sem a segunda, e a segunda, sem a primeira, perde o sentido.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Adam Fuss Revisited@faup

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A sua forma é a não forma,
o seu tempo é o não tempo,
seu lugar o não lugar,
seu momento o não momento,
mas captada num instante
breve efémero e fugaz,
sua forma é definida
seu fluxo é constante,
sua imagem a mais polida
sua acção a mais vivaz.
Neste trabalho tentámos demonstrar a beleza do momento efémero captado num instante, intemporalizando a força da sua fugacidade, tornando-o eterno.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
solidão@cordoaria


O badalar compassado dos sinos distantes ecoa mecanicamente na alma de quem vagueia pela praça. Um cão errante descansa à sombra de um banco. A seu lado, um velho guarda-chuva esquecido é metáfora indelével de passagem e abandono. Aqui e além, a solidão invade o espaço, a efemeridade citadina, a condição humana. Alguém que ali passa, absorto nos seus pensamentos, assiste com mágoa ao espectáculo. Maior que a distância que o separa do mundo é aquela que o separa de si mesmo. O vento junta-se-lhe assobiando e arrastando consigo as folhas caídas que crepitantes aplaudem o espectáculo debaixo dos seus pés, roubando-lhe por momentos a solidão, mas não lhe oferecendo verdadeira companhia. Noutro canto da praça, um segundo interveniente sofre meditando nos seus problemas. A sua dor é imensa porque não é partilhada. Ele não vê as árvores que lhe acenam nem o lago que lhe sussurra, não vê o mundo mágico que o rodeia. Está concentrado na sua mágoa, alimentando-a a cada momento. Sentado num banco, um terceiro personagem fita o horizonte. Alheio a esta acção, permanece vivo na sua consciência. A sua solidão é a sua amiga, porque na sua solidão ele é o seu melhor amigo. Alguém o fita com espanto e incompreensão. A aura que emana é de serenidade não sofrimento. Privou-se de muito, mas não está só, porque não se abandonou a si mesmo, não abdicou da sua liberdade, do seu ser, da sua solidão...
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